segunda-feira, 2 de março de 2015

Ciúmes entre irmãos

Pediram-me que escrevesse um testemunho sobre o ciúme entre irmãos. Partilho convosco o meu testemunho:

Foi quando fiquei grávida do meu 2º filho que pensei mais profundamente sobre o ciúme entre irmãos. Tenho dois irmãos e não me lembro de sentir ciúmes deles, eventualmente até poderei ter sentido, mas não foi nada muito importante pois não faz parte da minha memória. E assim queria que os meus filhos vivessem a fraternidade, sem ciúmes, aceitando-se mutuamente e respeitando a individualidade de cada um.

No entanto, o receio de que o nosso filho, que uns meses depois se tornaria o mais velho, não aceitasse a nova realidade de uma forma pacífica surgiu na minha cabeça e naturalmente em casal.

Quando nasce um mano, o filho mais velho tem de aprender a dividir o espaço, as coisas, e mais importante a atenção dos seus pais e estas aprendizagens podem não ser pacíficas, mas para isso os pais têm um papel fundamental!

O nosso filho mais velho participou em tudo o que tinha a ver com a chegada do mano, desde a escolha do nome, preparação do quarto, a compra de roupinha. Sentiu-se importante e sentiu que a chegada do mano era uma novidade muito boa!

E efetivamente a chegada do mano correu lindamente! Houve um momento de nervosismo sim, um momento em que todas as imagens que o meu pequeno tinha criado do irmão foram confrontadas com a realidade e esse momento pode não ter sido fácil, mas foi mesmo isso… um momento só!

Eu e o meu marido fizemos um esforço muito grande em dividir as atenções pelos dois pequenos seres, eventualmente até dando mais importância ao mais velho, pois este tinha mais perceção enquanto o bebé ainda só precisava que lhe satisfizessem as necessidades básicas.

Lembro-me que logo quando me foi possível, dediquei um dia inteiro apenas ao mais velho, fomos passear, fizemos o que mais gostava e isso fê-lo perceber que não tinha perdido nada com a chegada do mano. 

 Atualmente que já são três, não sinto que os meus filhos tenham ciúmes uns dos outros. Esforçamo-nos por dar igual atenção a todos, apesar de terem todos personalidades muito diferentes e necessidades diferentes também. Se o mais velho precisa de acompanhamento nos trabalhos de casa, de seguida ajudamos o do meio a fazer um desenho ou brincamos com a pequenina. Esforçamo-nos para que sejam amigos, saibam partilhar e aceitar-se na sua individualidade e diferença. Há dias em que não é fácil, em que embirram uns com os outros, em que o mais velho aborrece o do meio até à exaustão e este acaba por se zangar com o irmão. Mas como tudo em educação, este é um caminho que se faz dia-a-dia, situação a situação. E a responsabilidade maior é nossa, dos pais. Nós devemos ser os primeiros a não fazer distinções, não fazer comparações, não deixar que outros o façam, ainda que sem intenção, devemos responder de forma igual a todos. Ainda que não seja fácil, ainda que haja dias em que estejamos cansados, este foi o desafio que aceitámos quando nos tornámos pais e é a esta vocação que temos de responder sempre, todos os dias, com toda a alma, cabeça e coração.

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